A tabela aparecia no story de um amigo: quanto mais você manda, mais você recebe. O amigo nem sabia que o perfil dele tinha sido invadido.
Em uma frase!
Pix não multiplica dinheiro. “Mande pouco e receba muito” é sempre golpe.
Aviso Editorial
Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Foi elaborado exclusivamente com base em fontes públicas, citadas ao longo do texto. As vítimas e os investigados não são identificados, e os suspeitos têm direito à presunção de inocência. O texto poderá ser atualizado se surgirem fatos novos. O caso fictício é identificado como tal e não se refere a pessoas reais.
O que aconteceu
Em maio de 2024, a Polícia Civil do Pará deflagrou a operação “Tabela PIX” e prendeu quatro suspeitos em São Paulo. No Pará, pelo menos quatro vítimas tinham procurado a polícia: elas acreditaram na promessa de receber dinheiro fácil depois de fazer um Pix. Analisando as transferências, os investigadores descobriram que o grupo tinha movimentado cerca de R$ 100 mil com golpes. Também encontraram invasões de contas de WhatsApp e Instagram, vendas falsas de eletrodomésticos e vítimas em pelo menos seis estados.
Segundo a delegada responsável pela investigação, o golpe mira pessoas que estão passando por dificuldade financeira. Ela deixou dois recados: não acreditar em promessas de dinheiro pela internet e não passar a senha das redes sociais para ninguém. É que muitas vezes a “tabela” é postada no perfil invadido de alguém conhecido, para parecer confiável. A Polícia Civil de Minas Gerais já tinha alertado para o mesmo golpe: perfis prometiam devolver até cinco vezes o valor depositado, e a vítima nunca recebia nada.
E se fosse com você? (caso fictício)
Karina, 24 anos, está desempregada. Vê no story da prima uma tabela: “R$ 100 viram R$ 1.000, R$ 200 viram R$ 2.000. Eu fiz e caiu na hora!”. Ela chama a prima no direct e recebe uma chave Pix. Manda R$ 200. Logo vem outra mensagem: “Para liberar seus R$ 2.000, falta pagar R$ 300 de taxa de saque”. Desconfiada, Karina liga para a prima, que se assusta: o Instagram dela tinha sido invadido na noite anterior, e ela nem conseguia mais entrar.
O golpe em 4 passos
- Oportunidade: o golpista invade o perfil de alguém (ou cria um perfil falso) e publica a “tabela” para os seguidores.
- Ganância e confiança: a promessa é de lucro alto e rápido, e quem “indica” é um conhecido. Às vezes aparecem prints de supostos pagamentos.
- Urgência: “só hoje”, “últimas vagas”. Depois do primeiro Pix, surgem “taxas de liberação” para receber o prêmio.
- Saída do dinheiro: o Pix vai para contas de terceiros (os “laranjas”) e é espalhado em minutos.
3 sinais de golpe
- Promessa de multiplicar dinheiro com um simples Pix.
- Um conhecido de repente começa a postar sobre investimento milagroso.
- Para receber o “lucro”, pedem mais uma taxa.
O que dizer na hora
Você não precisa responder ao perfil nem discutir. Basta uma frase:
“Vou ligar para você para saber se é você mesmo.”
E ligue mesmo, por telefone ou WhatsApp, e não pelo direct. Quem responde o direct de um perfil invadido é o golpista.
3 atitudes que salvam
- Avise o dono do perfil por outro caminho e denuncie a postagem na própria rede social. Assim você protege outras pessoas.
- Proteja suas contas: nunca passe senha nem código recebido por SMS, e ative a verificação em duas etapas no Instagram e no WhatsApp.
- Se já pagou: avise o banco na hora e peça o MED do Pix, guarde prints da tabela, da conversa e do comprovante, e registre boletim de ocorrência. Não pague nenhuma “taxa” para recuperar o dinheiro.
Telefones úteis
- 190: emergência (Polícia Militar).
- 197: Polícia Civil, nos estados que têm esse número.
- Seu banco: o número atrás do cartão ou no aplicativo oficial, para pedir o MED.
- Instagram invadido: use a página oficial de recuperação, instagram.com/hacked. Nunca pague “hacker do bem” para recuperar a conta: é outro golpe.
Golpe ou verdade? Teste rápido
1. “Minha amiga postou que mandou R$ 100 e recebeu R$ 1.000 na hora.”
👉 Golpe. O perfil dela provavelmente foi invadido. Ligue para ela.
2. “Coloquei dinheiro na poupança e rendeu um pouquinho no fim do mês.”
👉 Verdade. Investimento de verdade rende devagar, nunca dez vezes em minutos.
3. “Para liberar meu lucro, só falta pagar a taxa de saque.”
👉 Golpe. A taxa é só o segundo golpe em cima do primeiro.
Palavras deste texto, explicadas
- Tabela do Pix: imagem com valores que prometem multiplicar o dinheiro enviado. Também chamada de “urubu do Pix”.
- Perfil invadido (ou hackeado): conta de rede social tomada pelo golpista, que passa a falar como se fosse o dono.
- Verificação em duas etapas: senha extra que impede outra pessoa de entrar na sua conta.
- Laranja: pessoa que empresta a conta para o golpista receber o dinheiro.
- MED: pedido ao banco para tentar bloquear e devolver o dinheiro do golpe.
O que diz a lei
Quem aplica o golpe responde por estelionato eletrônico (art. 171, § 2º-A, do Código Penal, pena de 4 a 8 anos), com aumento se a vítima for idosa ou vulnerável (§ 4º). Invadir a conta de outra pessoa pode configurar ainda invasão de dispositivo informático (art. 154-A), conforme o caso. Quem vende, aluga ou empresta a conta bancária para receber o dinheiro responde pelo crime de cessão de conta laranja (art. 171, § 2º, VII, do Código Penal), com pena de 1 a 5 anos, e o grupo, por associação criminosa (art. 288). Quem caiu no golpe é vítima e deve denunciar sem medo.
Repasse no WhatsApp da família
⚠️ ALERTA: “Mande R$ 100 e receba R$ 1.000” é GOLPE.
Muitas vezes aparece no perfil INVADIDO de um amigo ou parente.
Não mande Pix. Ligue para a pessoa e avise que a conta foi hackeada.
Repasse para seus pais e avós. 🙏
Opinião do Autor
Esse golpe faz duas vítimas de uma vez: quem perde o dinheiro e quem perde o perfil, que passa a ser usado para enganar os próprios amigos. Por isso a prevenção começa antes da tabela: ative a verificação em duas etapas hoje. E grave a regra que vale para qualquer oferta: se o dinheiro cresce rápido demais, o único que vai ganhar é o golpista.
Ronaldo Entringe, Delegado de Polícia Civil
Aviso de Atualização Legal: Este conteúdo reflete o panorama legislativo e o entendimento dos tribunais vigentes em novembro de 2026. Considerando a suscetibilidade de alterações no cenário normativo, recomenda-se a validação das diretrizes atuais antes de qualquer tomada de decisão. A presente publicação destina-se exclusivamente a fins informativos, não substituindo uma análise técnica e individualizada da matéria.
Fontes
- Tabela Pix: golpe faz vítimas no Pará; saiba como se proteger — Diário do Pará, 16/05/2024
- Polícia Civil alerta para golpe da “tabela do pix”; saiba como evitar — Correio Braziliense, janeiro de 2023
- Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940) — Planalto
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