O envelope parecia uma entrega qualquer. Dentro dele estavam cinco cartões de banco e as senhas de todos eles.
Em uma frase
Banco nunca manda buscar seu cartão em casa e nunca pede sua senha. Quem pede é golpista.
Aviso Editorial
Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Foi elaborado exclusivamente com base em fontes públicas, citadas ao longo do texto. A vítima e o entregador não são identificados. O texto poderá ser atualizado se surgirem fatos novos. O caso fictício é identificado como tal e não se refere a pessoas reais.

O que aconteceu
Em São João de Meriti, na Baixada Fluminense (RJ), um motoboy de 24 anos aceitou pelo aplicativo uma corrida simples: buscar um envelope e levar até o bairro de Ramos, no Rio. A corrida valia R$ 24, mas ele recebeu uma mensagem prometendo R$ 50. Ao chegar, encontrou uma senhora de 74 anos muito nervosa. Ela só queria que aquilo acabasse logo. O envelope estava aberto, e dava para ver o que havia dentro: cinco cartões de banco, cada um acompanhado da senha.
O rapaz perguntou se a encomenda era para algum parente. A idosa respondeu que os cartões iam “para o banco”. Pessoas que se diziam funcionárias do banco tinham mandado ela fazer isso, e começaram a ameaçá-la quando ela demorou a obedecer. O motoboy entendeu o que estava acontecendo: explicou à senhora que aquilo era golpe, cancelou a corrida e os cartões ficaram com a dona. O caso foi mostrado pelo telejornal Bom Dia Rio em novembro de 2024.
E se fosse com você? (caso fictício)
Seu Raimundo, 70 anos, atende o telefone fixo. Uma moça educada diz ser “do setor de segurança do banco” e avisa que houve uma compra de R$ 2.890 no cartão dele. Ele diz que não comprou nada. Ela então pede que ele digite a senha no teclado do telefone “para cancelar a compra”, corte o cartão ao meio sem estragar o chip e o coloque num envelope: “um portador do banco vai passar aí em meia hora”. O neto chega, estranha a conversa e liga, do celular dele, para o número que está atrás do cartão. Não havia compra nenhuma. O cartão foi bloqueado e a senha, trocada.
O golpe em 4 passos
- Oportunidade: o golpista liga, quase sempre para pessoas idosas, falando de uma “compra suspeita” ou de um “cartão clonado”.
- Autoridade: ele se apresenta como gerente ou “setor de segurança” do banco. Às vezes o número do banco até aparece na tela.
- Urgência: “precisa ser agora, senão você perde o dinheiro”. Se a vítima demora, vêm a pressão e até ameaças.
- Saída do dinheiro: um motoboy (do grupo ou contratado sem saber de nada) leva cartão e senha. Com o chip inteiro, os criminosos fazem compras e saques em poucas horas.
3 sinais de golpe
- Alguém “do banco” pede sua senha, por telefone, mensagem ou digitada no teclado.
- Mandam cortar o cartão sem estragar o chip.
- Dizem que um motoboy ou portador vai buscar o cartão na sua casa.
O que dizer na hora
Você não precisa discutir nem explicar nada. Basta uma frase:
“Vou desligar e resolver direto na minha agência.”
Se a pessoa insistir, se irritar ou disser que “não dá tempo”, é golpe. O banco de verdade espera você ir até ele.
3 atitudes que salvam
- Desligue e ligue de outro telefone (ou espere alguns minutos) para o número atrás do cartão. O golpista pode manter a linha presa e “atender” de novo.
- Nunca entregue cartão nem senha a ninguém. Se o cartão tiver problema, bloqueie pelo aplicativo e destrua você mesmo, cortando também o chip.
- Se já entregou: bloqueie o cartão na hora, peça ao banco a contestação das compras (e o MED, se saiu algum Pix), tire prints e anote horário e número da ligação, e registre boletim de ocorrência.
Telefones úteis
- 190: emergência (Polícia Militar). Use se o “motoboy” estiver na sua porta.
- 197: Polícia Civil, nos estados que têm esse número.
- Seu banco: o número impresso atrás do cartão ou o que aparece no aplicativo oficial. Nunca use o número que a pessoa da ligação passou.
Golpe ou verdade? Teste rápido
1. “O banco vai mandar um motoboy buscar meu cartão cortado para perícia.”
👉 Golpe. Banco não recolhe cartão na casa de ninguém.
2. “O aplicativo do banco mostrou uma compra que não fiz, e eu mesmo bloqueei o cartão pelo app.”
👉 Verdade. Esse é o caminho certo: você age pelo canal oficial.
3. “O gerente pediu para eu digitar a senha no telefone para cancelar a compra.”
👉 Golpe. Senha é só sua. Ninguém do banco pede.
Palavras deste texto, explicadas
- Falsa central: golpista que finge ser o atendimento do banco por telefone.
- Chip: o quadradinho dourado do cartão. É ele que faz a compra funcionar, mesmo com o cartão cortado.
- Engenharia social: conversa feita para enganar, usando medo, pressa ou falsa autoridade.
- Contestação: pedido ao banco para cancelar compras que você não fez.
- Boletim de ocorrência: registro do crime na polícia, feito na delegacia ou pela internet.
O que diz a lei
Quem engana a vítima para obter cartão e senha responde, conforme o caso, por estelionato (art. 171 do Código Penal) ou furto mediante fraude (art. 155, § 4º, II), com aumento de pena quando a vítima é idosa (art. 171, § 4º, e art. 155, § 4º-C, II). No caso do Rio, como o cartão não chegou aos criminosos, haveria tentativa (art. 14, II). As ameaças feitas à senhora podem configurar o crime de ameaça (art. 147), e o grupo pode responder ainda por associação criminosa (art. 288). O motoboy contratado sem saber de nada não comete crime.
Repasse no WhatsApp da família
ALERTA: golpistas ligam fingindo ser do BANCO e mandam um MOTOBOY buscar o cartão.
Banco NUNCA pede senha e NUNCA busca cartão em casa.
Ligaram assim? Desligue e ligue você para o número atrás do cartão, de outro telefone.
Repasse para seus pais e avós.
Opinião do Autor
Desta vez o golpe parou num rapaz atento, que percebeu o medo da senhora e teve coragem de dizer “isso é golpe”. Qualquer um de nós pode ser essa barreira: o vizinho, o porteiro, o caixa da farmácia. Só não é preciso enfrentar ninguém. Na dúvida, segure a entrega e ligue 190.
Ronaldo Entringe, Delegado de Polícia Civil
Aviso de Atualização Legal:
Este conteúdo reflete o panorama legislativo e o entendimento dos tribunais vigentes em novembro de 2026. Considerando a suscetibilidade de alterações no cenário normativo, recomenda-se a validação das diretrizes atuais antes de qualquer tomada de decisão. A presente publicação destina-se exclusivamente a fins informativos, não substituindo uma análise técnica e individualizada da matéria.
Fontes
- Motoboy foi buscar um envelope para uma corrida de R$ 24 no Rio de Janeiro, desconfiou ao ver uma idosa nervosa e descobriu cinco cartões com senhas — CPG Click Petróleo e Gás, 25/08/2026 (com base em reportagem do Correio 24 Horas e do Bom Dia Rio, novembro de 2024)
- Conheça os golpes financeiros mais recorrentes (lista da Febraban) — Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, 2022
- Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940) — Planalto
