O comprador viu o carro, apertou a mão do dono e fez o Pix. O dinheiro foi parar na conta de quem nem estava lá.
Em uma frase!
Carro se paga ao dono do carro, na frente dele. Nunca a um “intermediário”.
Aviso Editorial
Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Foi elaborado exclusivamente com base em fontes públicas, citadas ao longo do texto. As vítimas e os investigados não são identificados, e os suspeitos têm direito à presunção de inocência. O texto poderá ser atualizado se surgirem fatos novos. O caso fictício é identificado como tal e não se refere a pessoas reais.
O que aconteceu
Em fevereiro de 2026, as Polícias Civis do Pará e do Amapá deflagraram a operação “Mendacium” (palavra latina para “mentira”) e cumpriram sete mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão no Amapá. O grupo é investigado por estelionato eletrônico e associação criminosa. Segundo a investigação, os suspeitos copiavam anúncios verdadeiros de carros, com as fotos e os dados reais, e se apresentavam aos compradores como intermediários autorizados pelo dono. Quando o comprador se convencia, recebia uma chave Pix de terceiros.
Com a quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça, a polícia viu que o dinheiro era dividido e repassado quase na hora para outros integrantes do grupo, para dificultar o rastreamento. As vítimas foram atraídas pelo Marketplace do Facebook e pelo WhatsApp. A Polícia Civil do Pará já tinha alertado que esse é um dos golpes mais comuns no estado, e resumiu a regra: o anúncio pode ser pela internet, mas a negociação tem que acontecer no mundo real.
E se fosse com você? (caso fictício)
Ana, 35 anos, de Macapá, acha no Marketplace o carro que procurava, R$ 12 mil mais barato que nos outros anúncios. O “intermediário” explica: o carro é do tio dele, que vai mostrar o veículo, mas pede que ela não fale de preço com o tio, “porque ele já recusou uma oferta maior de outro comprador”. Ana vê o carro, gosta e está pronta para fazer o Pix para a conta que o intermediário mandou, em nome de uma terceira pessoa. Antes, pergunta ao dono quanto ele quer pelo carro. O dono fala um valor bem maior e diz que nunca ouviu falar de sobrinho nenhum.
O golpe em 4 passos
- Oportunidade: o golpista fala com quem está vendendo um carro, finge interesse e consegue fotos e documentos. Depois, publica um anúncio igual, mais barato.
- Confiança: para o comprador, ele diz ser “intermediário”. Para o dono, diz que vai mandar um parente ver o carro. Cada um acha que o outro está de acordo.
- Silêncio e pressa: ele pede aos dois que não falem de valores entre si, e apressa o comprador: “tem outro interessado”.
- Saída do dinheiro: o comprador faz o Pix para a conta indicada (de um “laranja”), e o valor é espalhado em minutos. As duas pessoas honestas ficam no prejuízo e no conflito.
3 sinais de golpe
- Preço muito abaixo do que se cobra por carros iguais.
- Pedem para você não falar de preço com quem mostra o carro.
- A conta para o pagamento está em nome de outra pessoa, e não do dono que aparece no documento.
O que dizer na hora
Você não precisa acusar ninguém. Basta uma frase:
“Só pago na conta do dono do carro, na frente dele.”
Se o “intermediário” sumir ou inventar desculpa, você acabou de escapar do golpe. Vendedor honesto não tem problema em receber o próprio dinheiro.
3 atitudes que salvam
- Converse com o dono: confirme o preço, o nome no documento e se existe mesmo algum intermediário. Encontre-se de dia, em lugar movimentado e com câmeras.
- Confira o carro: veja a situação do veículo no site oficial do Detran e só pague quando a transferência estiver garantida.
- Se já pagou: avise o banco na hora e peça o MED do Pix, guarde prints do anúncio e das conversas, e registre boletim de ocorrência. Se você está vendendo e alguém pede para tirar o anúncio do ar ou para não falar de preço com o “parente”, desconfie.
Telefones úteis
- 190: emergência (Polícia Militar).
- 197: Polícia Civil, nos estados que têm esse número.
- Detran do seu estado: consulte a situação do veículo e as regras de transferência só no site oficial. O Detran não vende carros por WhatsApp nem por redes sociais.
- Seu banco: o número atrás do cartão ou no aplicativo oficial, para pedir o MED. Nunca use número passado pelo vendedor ou pelo “intermediário”.
Golpe ou verdade? Teste rápido
1. “O intermediário pediu para eu não comentar o preço com o dono quando fosse ver o carro.”
👉 Golpe. Esse pedido existe para você não descobrir a farsa.
2. “Paguei na conta do dono, conferi o nome no documento e fomos juntos fazer a transferência.”
👉 Verdade. Esse é o caminho seguro.
3. “Eu vi o carro com meus olhos, então o negócio é seguro.”
👉 Golpe. O carro é real. O problema é para quem vai o seu dinheiro.
Palavras deste texto, explicadas
- Intermediário: quem diz negociar em nome do dono. No golpe, é o próprio criminoso.
- Marketplace: área de compra e venda dentro do Facebook.
- Laranja: pessoa que empresta a conta para o golpista receber o dinheiro.
- Quebra de sigilo bancário: autorização do juiz para a polícia ver por onde o dinheiro passou.
- MED: pedido ao banco para tentar bloquear e devolver o dinheiro do golpe.
O que diz a lei
Quem aplica o golpe responde por estelionato eletrônico (art. 171, § 2º-A, do Código Penal, pena de 4 a 8 anos), com aumento se a vítima for idosa ou vulnerável (§ 4º). Quando o grupo se organiza para isso, responde também por associação criminosa (art. 288), como apurado na operação. Quem vende, aluga ou empresta a conta para receber o dinheiro responde pelo crime de cessão de conta laranja (art. 171, § 2º, VII, do Código Penal), com pena de 1 a 5 anos. O comprador e o vendedor enganados são vítimas e devem registrar ocorrência.
Repasse no WhatsApp da família
⚠️ ALERTA: golpistas copiam anúncios de CARROS e se passam por “INTERMEDIÁRIOS“.
Pedem para você não falar de preço com o dono e mandam Pix para conta de outra pessoa.
Só pague ao DONO do carro, na frente dele.
Repasse para seus pais e avós. 🙏
Opinião do Autor
Esse golpe é cruel porque coloca duas pessoas honestas uma contra a outra: o comprador acha que pagou, o vendedor acha que não recebeu. E agora sabemos que esse tipo de grupo também atua aqui, no Amapá. A defesa é simples: o dinheiro vai para o nome que está no documento do carro. Se alguém pedir silêncio sobre o preço, o negócio acabou ali.
Ronaldo Entringe, Delegado de Polícia Civil
Aviso de Atualização Legal: Este conteúdo reflete o panorama legislativo e o entendimento dos tribunais vigentes em novembro de 2026. Considerando a suscetibilidade de alterações no cenário normativo, recomenda-se a validação das diretrizes atuais antes de qualquer tomada de decisão. A presente publicação destina-se exclusivamente a fins informativos, não substituindo uma análise técnica e individualizada da matéria.
Fontes
- Fraude digital no Pará: esquema usava Pix e anúncios falsos de veículos — Diário do Pará, 13/02/2026
- PC do Pará alerta sobre golpe em anúncio de venda de carros pela internet — Diário do Pará, 20/01/2024
- Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940) — Planalto
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