Golpe do falso leilão: como identificar e se proteger
No momento, você está visualizando Caso Explicado – A moto do “leilão” tinha até advogado com foto e documento. Só não tinha leilão.

Caso Explicado – A moto do “leilão” tinha até advogado com foto e documento. Só não tinha leilão.

Ele viu a moto barata, conversou com o “advogado da leiloeira”, recebeu foto e documento e pagou por Pix. A moto nunca existiu.


Em uma frase!

Leilão de verdade tem leiloeiro registrado na Junta Comercial. Confira antes de pagar qualquer centavo.

Aviso Editorial

Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Foi elaborado exclusivamente com base em fontes públicas, citadas ao longo do texto. A vítima e os investigados não são identificados, e os suspeitos têm direito à presunção de inocência. O texto poderá ser atualizado se surgirem fatos novos. O caso fictício é identificado como tal e não se refere a pessoas reais.

O que aconteceu

Um morador de Barretos, no interior de São Paulo, viu numa rede social o anúncio de uma motocicleta vendida em “leilão”, por um preço que parecia ótimo. Na conversa, apareceu um homem que se dizia advogado da empresa de leilões. Para passar confiança, os golpistas mandaram documentos pessoais e a foto desse “advogado”. A vítima acreditou, fez transferências por Pix e perdeu cerca de R$ 6 mil. A moto nunca chegou.

A partir desse caso, a Polícia Civil de Barretos identificou o grupo e descobriu que ele repetia o mesmo golpe em outras regiões do país, com perfis falsos em aplicativos de mensagens. Segundo a investigação, dezenas de pessoas podem ter sido enganadas. Na quarta-feira, 4 de novembro de 2026, a polícia prendeu dois homens, de 29 e 32 anos, na zona leste da capital paulista, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e recolheu celulares e outros aparelhos para perícia. A Justiça havia decretado a prisão temporária de quatro investigados; dois continuam foragidos. O delegado que coordenou a ação destacou que esses golpes atingem principalmente os idosos.

E se fosse com você? (caso fictício)

Seu Raimundo, 64 anos, de Macapá, quer dar uma moto ao neto. No Instagram, acha um “leilão de veículos recuperados de financiamento”, com a moto pela metade do preço. O “leiloeiro” manda edital, foto de carteira da OAB e diz que o lote fecha às 18h. Antes do Pix, a filha de Seu Raimundo procura o nome do leiloeiro na lista oficial da Junta Comercial. O nome não está lá. O número de registro do “edital” é de outra pessoa. Seu Raimundo não paga, e o perfil some no dia seguinte.

O golpe em 4 passos

  1. Oportunidade: um anúncio em rede social oferece carro ou moto “de leilão” muito abaixo do preço normal.
  2. Autoridade: entra em cena um “advogado” ou “leiloeiro”, com foto, documentos e às vezes um site bonito. Muitas vezes, a foto e os documentos são de uma pessoa real, que nem sabe do golpe.
  3. Urgência: “o lote fecha hoje”, “tem outro interessado”, “pague a reserva agora para garantir”.
  4. Saída do dinheiro: o Pix vai para a conta de uma pessoa ou empresa que nada tem a ver com leilão. O dinheiro é repassado em minutos, e depois vêm novas “taxas” de frete, documentação ou liberação.

3 sinais de golpe

  • Preço bom demais para ser verdade, anunciado em rede social ou por WhatsApp.
  • O “leiloeiro” ou o “advogado” não aparece na lista oficial da Junta Comercial, ou o telefone dele é diferente do que está lá.
  • Pedem Pix para a conta de outra pessoa ou de empresa estranha, e não do leiloeiro oficial.

O que dizer na hora

Você não precisa discutir. Basta uma frase:

“Me passe o nome e o número de registro do leiloeiro. Vou conferir na Junta Comercial e ligar no telefone que está lá.”

Leiloeiro de verdade não se incomoda com isso. Golpista inventa desculpa, apressa ou desaparece.

3 atitudes que salvam

  • Confira o leiloeiro: todo leiloeiro oficial precisa ter registro na Junta Comercial do seu estado. Procure o nome na lista do site oficial da Junta e ligue no telefone que está lá, não no do anúncio.
  • Desconfie do “advogado”: foto de carteira e documento enviados pelo WhatsApp não provam nada. Podem ser de uma pessoa real que teve os dados roubados.
  • Se já pagou: avise o banco na hora e peça o MED do Pix, guarde prints do anúncio, do perfil e das conversas (sem apagar nada), denuncie o perfil na rede social e registre boletim de ocorrência.

Telefones úteis

  • 190: emergência (Polícia Militar).
  • 197: Polícia Civil, nos estados que têm esse número.
  • Junta Comercial do seu estado: procure pelo nome no Google e entre só no site oficial do governo (termina em .gov.br). Lá está a lista dos leiloeiros oficiais, com registro e telefone.
  • Seu banco: o número atrás do cartão ou no aplicativo oficial, para pedir o MED. Nunca use número passado pelo “leiloeiro” ou pelo “advogado”.

Golpe ou verdade? Teste rápido

1. “O advogado da leiloeira me mandou foto da carteira da OAB, então é confiável.”
👉 Golpe. Foto de documento se copia em segundos. Quem prova é a Junta Comercial.

2. “Achei o leiloeiro na lista da Junta Comercial e liguei no telefone que estava lá.”
👉 Verdade. Esse é o caminho seguro.

3. “Já paguei, agora só falta uma taxa para liberar a moto.”
👉 Golpe. Cada nova taxa é mais dinheiro perdido. Pare de pagar e procure o banco.

Palavras deste texto, explicadas

  • Leiloeiro oficial: profissional registrado na Junta Comercial, o único que pode fazer leilão.
  • Junta Comercial: órgão do estado que registra empresas e leiloeiros.
  • Engenharia social: conversa feita para enganar e convencer a vítima a agir.
  • Prisão temporária: prisão por prazo curto, pedida durante a investigação.
  • MED: pedido ao banco para tentar bloquear e devolver o dinheiro do golpe.

O que diz a lei

Quem aplica o golpe responde por estelionato eletrônico (art. 171, § 2º-A, do Código Penal, pena de 4 a 8 anos), com aumento se a vítima for idosa ou vulnerável (§ 4º). Se ficar provado que o grupo se organizou de forma estável para os golpes, pode responder também por associação criminosa (art. 288). Quem vende, aluga ou empresta a conta para receber o dinheiro responde pelo crime de cessão de conta laranja (art. 171, § 2º, VII, do Código Penal), com pena de 1 a 5 anos. A pessoa cuja foto e documentos foram usados também é vítima e deve registrar ocorrência.

Repasse no WhatsApp da família

ALERTA: golpistas anunciam CARROS e MOTOS de “LEILÃO” nas redes sociais, bem baratos.
Mandam foto e documento de “advogado” para parecer sério.
Antes de pagar, procure o leiloeiro na lista da JUNTA COMERCIAL.
Repasse para seus pais e avós.

Opinião do Autor

Esse caso mostra como uma única vítima que registra ocorrência pode levar a polícia a um grupo inteiro. Mostra também o truque mais perigoso do falso leilão: o “advogado” com foto e documento. No golpe digital, documento enviado por mensagem não prova nada. A prova está no registro oficial do leiloeiro, e consultar leva dois minutos.

Ronaldo Entringe, Delegado de Polícia Civil

Aviso de Atualização Legal

Este conteúdo reflete o panorama legislativo e o entendimento dos tribunais vigentes em novembro de 2026. Considerando a suscetibilidade de alterações no cenário normativo, recomenda-se a validação das diretrizes atuais antes de qualquer tomada de decisão. A presente publicação destina-se exclusivamente a fins informativos, não substituindo uma análise técnica e individualizada da matéria.

Fontes

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Professor & Coach Delegado Ronaldo Entringe

O Delegado Ronaldo Entringe é um estudioso na área de preparação para Concursos Públicos - Carreiras Policiais, e certamente irá auxiliá-lo em sua jornada até a aprovação, vencendo os percalços que irão surgir nesta cruzada, sobretudo através do planejamento estratégico das matérias mais recorrentes do certame e o acompanhamento personalizado.