Na tela do celular, o Pix estava pago. Na conta do restaurante, não tinha entrado nada.
Em uma frase!
Print não é dinheiro. Só entregue a mercadoria depois de ver o valor cair na sua conta.
Aviso Editorial
Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Foi elaborado exclusivamente com base em fontes públicas, citadas ao longo do texto. As vítimas e os investigados não são identificados, e os suspeitos têm direito à presunção de inocência. O texto poderá ser atualizado se surgirem fatos novos. O caso fictício é identificado como tal e não se refere a pessoas reais.

O que aconteceu
Em maio de 2023, a Polícia Civil do Amapá indiciou um contador por fraude eletrônica depois de um prejuízo de R$ 8.332 a um restaurante de Macapá. Ele comprava comida no local com frequência, em valores altos, e apresentava comprovantes de Pix que pareciam verdadeiros. A equipe do restaurante desconfiou e foi conferir: os comprovantes tinham o mesmo número de identificação, e nenhum valor tinha entrado na conta. Segundo a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos, o suspeito confessou. A polícia também apurou que ele teria usado dados de clientes para abrir contas em aplicativos.
O golpe é comum em todo o país. Em janeiro de 2025, a Justiça de São Paulo condenou por estelionato um homem que fez mais de 40 pedidos a um restaurante japonês em Itatinga, sempre com comprovantes falsos ou pagamentos agendados que nunca se concretizavam. O prejuízo chegou a cerca de R$ 11 mil, e a fraude só foi percebida quando uma das administradoras notou a diferença no caixa.
E se fosse com você? (caso fictício)
Seu Nonato tem uma lanchonete em Santana (AP). Sexta à noite, casa cheia, um rapaz pede dez hambúrgueres para viagem, R$ 280, e mostra na tela do celular: “Pix feito, pode conferir”. A atendente, na correria, já ia entregar a sacola. Seu Nonato pede um minuto, abre o aplicativo do banco e olha o extrato: tinha entrado R$ 0,28. O rapaz diz que “o banco está com problema” e vai embora sem os lanches.
O golpe em 4 passos
- Oportunidade: o golpista escolhe horários de movimento, quando o comerciante está com pressa e confia na tela do cliente.
- Aparência de verdade: mostra um comprovante editado, um Pix “agendado” ou um Pix de centavos com o valor alterado na imagem.
- Pressa e confiança: “já paguei, pode liberar”. Às vezes vira cliente frequente para ganhar confiança antes do prejuízo maior.
- Saída da mercadoria: ele leva o produto. O comerciante só descobre no fechamento do caixa, quando o dinheiro não aparece.
3 sinais de golpe
- O cliente só mostra o comprovante na tela ou manda um print, e tem pressa.
- O pagamento aparece como “agendado” ou entra um valor diferente (centavos).
- Comprovantes com o mesmo número de identificação em compras diferentes.
O que dizer na hora
Não precisa desconfiar em voz alta nem acusar o cliente. Basta uma frase:
“Só um minutinho, vou conferir no aplicativo.”
Cliente honesto espera um minuto. Quem fica nervoso ou vai embora acabou de mostrar quem é.
3 atitudes que salvam
- Confira no extrato, não no print: ative as notificações de Pix no celular do caixa e só libere a mercadoria quando o valor certo aparecer na conta.
- Treine a equipe: regra da casa vale para todos, inclusive para o cliente conhecido. Prefira o QR Code gerado na hora pela maquininha ou pelo aplicativo do banco, com o valor da compra.
- Se já caiu: guarde os comprovantes falsos, as conversas, o telefone e o endereço de entrega, e separe as imagens das câmeras. Registre boletim de ocorrência, mesmo que o valor seja pequeno: o golpista costuma repetir.
Telefones úteis
- 190: emergência (Polícia Militar). Use se o golpista ainda estiver no local.
- 197: Polícia Civil, nos estados que têm esse número.
- Seu banco: o número que está no aplicativo oficial, para tirar dúvidas sobre um pagamento. Nunca ligue para número passado pelo cliente para “confirmar” o Pix.
Golpe ou verdade? Teste rápido
1. “O cliente mostrou o comprovante no celular, então pode liberar.”
👉 Golpe. Comprovante é só uma imagem e pode ser editado em segundos.
2. “Vi o valor certo no extrato do aplicativo do banco e entreguei.”
👉 Verdade. Esse é o único jeito seguro de confirmar.
3. “O cliente disse que o Pix está agendado para mais tarde, mas é certeza.”
👉 Golpe. Pix agendado pode ser cancelado a qualquer momento. Só vale o que já caiu.
Palavras deste texto, explicadas
- Comprovante falso: imagem de pagamento montada ou editada, que não corresponde a dinheiro recebido.
- Pix agendado: pagamento marcado para depois. Ainda não aconteceu e pode ser cancelado.
- Extrato: lista do que entrou e saiu da sua conta, no aplicativo do banco.
- Número de identificação: código único de cada Pix. Dois pagamentos nunca têm o mesmo.
- QR Code com valor: código gerado na hora pelo seu banco ou maquininha, já com o preço da compra.
O que diz a lei
Pagar com comprovante falso para levar a mercadoria é estelionato (art. 171 do Código Penal, pena de 1 a 5 anos). Quando o golpe é feito por WhatsApp, aplicativo de entrega ou internet, pode ser enquadrado como fraude eletrônica (art. 171, § 2º-A, pena de 4 a 8 anos), como na indiciação do caso de Macapá. Usar dados de outras pessoas para abrir contas é apurado à parte e pode configurar outros crimes. Cada golpe repetido conta, e o valor baixo não impede o registro.
Repasse no WhatsApp da família
ALERTA AOS COMERCIANTES: golpistas pagam com COMPROVANTE FALSO de Pix.
A imagem parece real, mas o dinheiro nunca cai.
Só entregue a mercadoria depois de ver o valor no EXTRATO do aplicativo.
Repasse para quem tem loja, lanchonete ou faz entregas.
Opinião do Autor
Para o pequeno comerciante, cada prato entregue sem pagamento sai do próprio bolso. E esse golpe não precisa de hacker: basta uma imagem editada e um caixa com pressa. A regra que protege o negócio é uma só, e vale até para o cliente de todo dia: confere no extrato, depois entrega. Se o golpe acontecer, registre a ocorrência, mesmo que seja pouco. Muitas vezes é a soma dos registros que leva a polícia ao autor.
Ronaldo Entringe, Delegado de Polícia Civil
Aviso de Atualização Legal:
Este conteúdo reflete o panorama legislativo e o entendimento dos tribunais vigentes em novembro de 2026. Considerando a suscetibilidade de alterações no cenário normativo, recomenda-se a validação das diretrizes atuais antes de qualquer tomada de decisão. A presente publicação destina-se exclusivamente a fins informativos, não substituindo uma análise técnica e individualizada da matéria.
Fontes
- Contador é indiciado após aplicar golpe do falso Pix — Jornal Contábil, 31/05/2023 (com informações da Agência de Notícias do Amapá)
- Homem é condenado por pagar contas de restaurante com PIX falsos — Band FM, 28/01/2025
- Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940) — Planalto
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