Ela guardou tudo. E foi isso que levou a polícia até o golpista.
Em uma frase!
Caiu num golpe? Não apague nada: cada conversa, comprovante e número é uma pista para a polícia.
Aviso Editorial
Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Foi elaborado exclusivamente com base em fontes públicas, citadas ao final. A vítima e o investigado não são identificados. O caso fictício é identificado como tal. O texto será atualizado se surgirem fatos novos.

O que aconteceu
Uma moradora de Porto Velho (RO) conheceu um homem pelas redes sociais. Ele dizia ser caminhoneiro e morar no Espírito Santo, mas nunca contava a cidade nem dava endereço. Os dois chegaram a se encontrar e ela se apaixonou. Logo vieram os pedidos de dinheiro: combustível, pedágio, emergências. Quando ela não conseguiu mais pagar, ele mudou de tom e passou a ameaçar divulgar conversas íntimas do casal se não recebesse mais. Somando tudo, o prejuízo passou de R$ 40 mil.
Desconfiada, ela procurou a Polícia Civil de Rondônia. E fez uma coisa que mudou o rumo do caso: guardou tudo. Comprovantes das transferências, conversas, números de telefone e as chaves Pix usadas. Segundo o delegado responsável, esse material foi decisivo para identificar o suspeito, descobrir onde ele morava e entender sua rotina. Com apoio da polícia do Espírito Santo, ele foi preso, conforme noticiado em julho de 2026. O caso é investigado como estelionato sentimental e extorsão.
E se fosse com você?
Caso fictício, criado para fins educativos.
Seu Antônio, 68 anos, recebeu mensagem de um “sobrinho” com número novo pedindo R$ 3 mil para pagar um conserto. Fez o Pix. Quando descobriu o golpe, sentiu tanta vergonha que apagou a conversa e bloqueou o número. Na delegacia, só tinha o comprovante. A investigação começou, mas mais devagar: sem o número do golpista e sem as mensagens, faltavam pistas importantes. Se ele tivesse guardado tudo, a polícia teria mais caminhos desde o primeiro dia.
O golpe em 4 passos
- Oportunidade: o golpista encontra a vítima nas redes sociais, de preferência alguém sozinho ou carente.
- Confiança: conquista a pessoa com carinho, promessas e até encontros, mas esconde de onde é e quem é de verdade.
- Urgência: surgem pedidos de dinheiro para “emergências” que nunca terminam.
- Saída do dinheiro: Pix sucessivos e, quando a vítima não paga mais, ameaças para continuar recebendo.
3 sinais de golpe
- A pessoa nunca diz onde mora nem mostra documentos, mas sempre tem uma “emergência”.
- Os pedidos de dinheiro aumentam com o tempo e sempre têm pressa.
- Quando você diz “não”, vem chantagem ou ameaça.
O que dizer na hora
“Não vou apagar nada. Vou guardar tudo e procurar a polícia.”
Essa frase é para você mesmo. A vergonha faz muita gente apagar a conversa, e é justamente ela que leva a polícia ao golpista.
3 atitudes que salvam
- Ligue para o banco na hora e peça o MED (Mecanismo Especial de Devolução) do Pix. Quanto antes, maior a chance de bloquear o dinheiro.
- Guarde as provas do jeito certo:
• não apague a conversa e não formate o celular;
• tire prints que mostrem o nome, o número, a data e a hora;
• exporte a conversa pelo próprio WhatsApp e guarde o arquivo;
• salve os comprovantes de Pix com a chave e o nome de quem recebeu;
• anote o perfil, o link e todos os números que o golpista usou;
• guarde áudios, fotos e e-mails;
• só bloqueie o golpista depois de registrar tudo. - Registre o boletim de ocorrência na delegacia ou pela delegacia virtual do seu estado. Leve o celular e os arquivos, e não só papel impresso.
Telefones úteis
- 190 – Polícia Militar, se houver ameaça ou perigo agora.
- 197 – Polícia Civil, nos estados onde o número funciona.
- 180 – Central de Atendimento à Mulher, em caso de ameaça ou chantagem contra mulheres.
- Seu banco – use o número que está atrás do seu cartão ou no aplicativo oficial.
- Delegacia virtual – procure no site oficial da Polícia Civil do seu estado.
Nunca ligue para um número passado pelo golpista, nem para quem diz que “recupera” o seu dinheiro.
Golpe ou verdade? Teste rápido
1. Um “advogado” liga dizendo que recupera o dinheiro que você perdeu no golpe, mas cobra uma taxa adiantada.
👉 Golpe. É o golpe da recuperação: quem já caiu uma vez vira alvo de novo.
2. Na delegacia, pedem que você mostre o celular com a conversa e os comprovantes.
👉 Verdade. O aparelho e os arquivos originais são a prova mais forte.
3. Alguém diz que, para a polícia investigar, você precisa pagar uma “taxa de abertura de processo” por Pix.
👉 Golpe. Registrar ocorrência é de graça, e a polícia nunca cobra por Pix.
Palavras deste texto, explicadas
- Print: foto da tela do celular, tirada pelo próprio aparelho.
- Exportar conversa: função do WhatsApp que salva a conversa inteira num arquivo, com data e hora de cada mensagem.
- Chave Pix: o “endereço” para onde o dinheiro foi (CPF, celular, e-mail ou chave aleatória). Ajuda a polícia a achar quem recebeu.
- MED: Mecanismo Especial de Devolução. Pedido feito ao banco para tentar bloquear e devolver o dinheiro de um Pix de golpe.
- Estelionato sentimental: o golpe do amor. O criminoso finge um relacionamento para tirar dinheiro da vítima.
O que diz a lei
Enganar alguém pela internet para tirar dinheiro é estelionato. Quando o golpe usa redes sociais, aplicativos ou telefone, vira fraude eletrônica (art. 171, § 2º-A, do Código Penal), com pena de 4 a 8 anos. Ameaçar expor conversas ou imagens para continuar recebendo dinheiro é extorsão (art. 158), com pena de 4 a 10 anos. Quem vende, aluga ou empresta a conta para receber o dinheiro responde pelo crime de cessão de conta laranja (art. 171, § 2º, VII, do Código Penal), com pena de 1 a 5 anos. E, para golpes ocorridos a partir de 4 de maio de 2026, a investigação do estelionato não depende mais de pedido formal da vítima (Lei 15.397/2026). Ainda assim, sem provas, o caso não anda.
Repasse no WhatsApp da família
ALERTA: Caiu num golpe? NÃO apague a conversa.
Guarde prints, comprovantes de Pix e o número do golpista.
Ligue para o banco na hora e faça o boletim de ocorrência.
Repasse para seus pais e avós.
Opinião do Autor
Na delegacia, vejo muitas vítimas chegarem sem nada, porque apagaram tudo por vergonha. Cair em golpe não é motivo de vergonha: os golpistas são profissionais. O caso de Porto Velho mostra que a vítima que guarda as provas vira a principal aliada da investigação. Não apague nada e procure a polícia.
Ronaldo Entringe, Delegado de Polícia Civil
Aviso de Atualização Legal:
Este conteúdo reflete o panorama legislativo e o entendimento dos tribunais vigentes em novembro de 2026. Considerando a suscetibilidade de alterações no cenário normativo, recomenda-se a validação das diretrizes atuais antes de qualquer tomada de decisão. A presente publicação destina-se exclusivamente a fins informativos, não substituindo uma análise técnica e individualizada da matéria.
Fontes
- Mulher perde R$ 45 mil em golpe do amor em RO e homem é preso após ameaças com imagens íntimas – Portal Princesa Web, com informações da CBN Amazônia, 24/07/2026.
- Mulher perde R$ 45 mil em “golpe do amor” e suspeito é preso após ameaças com fotos íntimas – Terra Brasil Notícias, 24/07/2026.
- Dia dos Namorados: Polícia Civil alerta para o golpe do amor nas redes sociais – Bem Paraná, com informações da Polícia Civil do Paraná, 12/06/2026.
- Prints de mensagens de WhatsApp obtidos por particular, confirmados em juízo e sem indícios de manipulação, não configuram violação à cadeia de custódia – Dizer o Direito, 02/12/2025.
Leia também
- Golpe do Amor no WhatsApp: como o romance vira fraude
- Print de WhatsApp vale como prova? O que o STJ decide e como guardar conversas que valem na Justiça
- Código hash: a impressão digital da prova digital
- O que é Cyber Extorsão, como funciona e como se proteger
- Caso Explicado – O lucro subia na tela, mas o dinheiro nunca existiu: o golpe dos falsos comprovantes em criptomoedas
