Golpe da renda extra por curtidas: 716 vítimas em GO
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Caso Explicado – O golpe das “missões” paga R$ 20 para tirar R$ 100 mil.

No primeiro dia, R$ 20 por curtir vídeos. No fim, uma mulher tinha perdido R$ 109 mil, e a polícia encontrou mais 715 vítimas.


Em uma frase!

Trabalho de verdade paga você. Se pedem dinheiro para você trabalhar ou sacar, é golpe.

Aviso Editorial

Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Foi elaborado exclusivamente com base em fontes públicas, citadas ao longo do texto. As vítimas e os investigados não são identificados, e os suspeitos têm direito à presunção de inocência. O texto poderá ser atualizado se surgirem fatos novos. O caso fictício é identificado como tal e não se refere a pessoas reais.

O que aconteceu

Tudo começou com uma denúncia em Goiânia: uma vítima tinha perdido R$ 109,3 mil no chamado “golpe das missões”, que promete dinheiro fácil por tarefas simples na internet, como curtir postagens ou avaliar estabelecimentos. As vítimas recebiam pequenos valores no início e depois eram levadas a “investir” quantias cada vez maiores para ganhar mais, até perderem tudo. Puxando o fio dessa denúncia, a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Goiás encontrou 716 vítimas em todo o Brasil.

Em fevereiro de 2025, a operação “Fake Work” cumpriu 20 mandados em Goiás, no Acre, no Rio de Janeiro e em São Paulo, e sete pessoas foram presas preventivamente por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a polícia, o esquema movimentou cerca de R$ 93 milhões, e a maior parte do dinheiro passou por uma empresa de fachada em Goiânia, que misturava valores lícitos e ilícitos para esconder a origem. Na casa da dona da empresa, os policiais encontraram dezenas de contratos de compra e venda de criptomoedas com estrangeiros.

E se fosse com você? (caso fictício)

Lucas, 19 anos, de Macapá, está procurando emprego. Recebe no WhatsApp: “Vaga home office. Ganhe até R$ 300 por dia curtindo vídeos”. Entra no grupo, curte vídeos e recebe R$ 15 e depois R$ 20 por Pix. No grupo, todo mundo posta prints de ganhos. Então vem a “missão VIP”: deposite R$ 200 e receba R$ 260. Ele deposita e recebe. Na próxima, deposita R$ 1.000, e o saldo fica “travado”: para sacar, precisa pagar uma “taxa de liberação”. A mãe pergunta: “Que emprego é esse que cobra para você receber?” Lucas sai do grupo. Perdeu R$ 1.000, mas não perdeu o resto.

O golpe em 4 passos

  1. Oportunidade: a mensagem chega a quem precisa de renda, oferecendo “trabalho fácil” pelo celular, às vezes usando o nome de empresas conhecidas.
  2. Confiança comprada: as primeiras tarefas são pagas de verdade, com valores pequenos. O grupo cheio de “ganhadores” reforça a ideia de que funciona.
  3. Ganância e pressa: surgem as “missões especiais”, em que é preciso depositar para ganhar mais. Os valores sobem a cada etapa.
  4. Saída do dinheiro: o saldo “trava”, pedem taxas para sacar, e a vítima é bloqueada. O dinheiro passa por contas de laranjas e empresas de fachada.

3 sinais de golpe

  • Pagam muito por tarefas que qualquer pessoa faz em segundos.
  • Para continuar ou subir de nível, pedem que você deposite dinheiro.
  • Para sacar o que você “ganhou”, cobram uma taxa.

O que dizer na hora

Não precisa discutir com o “recrutador”. Basta uma frase:

“Emprego de verdade não me cobra para eu trabalhar.”

E saia do grupo. Quanto antes você sai, menos o golpista consegue tirar de você.

3 atitudes que salvam

  • Nunca pague para trabalhar, nem para “liberar” tarefas, nem para sacar ganhos. Essa regra derruba o golpe inteiro.
  • Não tente recuperar o perdido pagando mais. Toda nova “taxa” é dinheiro novo indo para o golpista.
  • Se já pagou: avise o banco na hora e peça o MED do Pix para cada transferência, tire prints do grupo, das conversas e das chaves Pix usadas, denuncie o grupo no aplicativo e registre boletim de ocorrência. Foi uma denúncia assim que levou às 716 vítimas.

Telefones úteis

  • 190: emergência (Polícia Militar).
  • 197: Polícia Civil, nos estados que têm esse número.
  • Seu banco: o número atrás do cartão ou no aplicativo oficial, para pedir o MED. Nunca use contato passado pelo “recrutador” ou pelo grupo.
  • Vaga de emprego: confira se a empresa existe e se a vaga aparece no site oficial dela. Empresa séria não recruta por grupo anônimo.

Golpe ou verdade? Teste rápido

1. “Já recebi R$ 20 pelas tarefas, então é sério.”
👉 Golpe. O pagamento pequeno é a isca para o depósito grande.

2. “Fiz entrevista, assinei contrato com a empresa e recebo salário sem pagar nada.”
👉 Verdade. Trabalho de verdade funciona assim.

3. “Meu saldo está em R$ 3 mil, só falta pagar R$ 500 de taxa para sacar.”
👉 Golpe. Esse saldo não existe. A taxa é o golpe seguinte.

Palavras deste texto, explicadas

  • Missão ou tarefa: curtir, seguir ou avaliar algo na internet em troca de pagamento. No golpe, é só a isca.
  • Empresa de fachada: empresa que existe no papel, mas serve para esconder dinheiro de crime.
  • Lavagem de dinheiro: fazer o dinheiro do crime parecer limpo, misturando-o com dinheiro legal.
  • Laranja: pessoa que empresta a conta para o golpista receber o dinheiro.
  • MED: pedido ao banco para tentar bloquear e devolver o dinheiro do golpe.

O que diz a lei

Quem aplica o golpe responde por estelionato eletrônico (art. 171, § 2º-A, do Código Penal, pena de 4 a 8 anos), com aumento se a vítima for idosa ou vulnerável (§ 4º). Quando há estrutura com divisão de tarefas, como na Fake Work, há também organização criminosa (art. 2º da Lei 12.850/2013), e quem esconde a origem do dinheiro responde por lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei 9.613/1998, pena de 3 a 10 anos). Quem vende, aluga ou empresta a conta para receber o dinheiro responde pelo crime de cessão de conta laranja (art. 171, § 2º, VII, do Código Penal), com pena de 1 a 5 anos. Quem caiu no golpe é vítima e deve denunciar sem vergonha.

Repasse no WhatsApp da família

ALERTA: “ganhe dinheiro curtindo vídeos” é GOLPE.
Pagam pouco no começo e depois pedem DEPÓSITO para você ganhar mais ou para sacar.
Emprego de verdade NUNCA cobra para você trabalhar.
Repasse para seus filhos e netos que procuram renda extra.

Opinião do Autor

Esse golpe mira quem mais precisa: o jovem sem emprego, a mãe que quer completar a renda. E ele mostra por que cada denúncia importa. Uma única vítima de Goiânia procurou a polícia, e a investigação chegou a 716 pessoas lesadas e a R$ 93 milhões. Se você caiu, não tenha vergonha: o seu boletim de ocorrência pode ser a peça que derruba a quadrilha inteira.

Ronaldo Entringe, Delegado de Polícia Civil

Aviso de Atualização Legal:

Este conteúdo reflete o panorama legislativo e o entendimento dos tribunais vigentes em novembro de 2026. Considerando a suscetibilidade de alterações no cenário normativo, recomenda-se a validação das diretrizes atuais antes de qualquer tomada de decisão. A presente publicação destina-se exclusivamente a fins informativos, não substituindo uma análise técnica e individualizada da matéria.

Fontes

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Professor & Coach Delegado Ronaldo Entringe

O Delegado Ronaldo Entringe é um estudioso na área de preparação para Concursos Públicos - Carreiras Policiais, e certamente irá auxiliá-lo em sua jornada até a aprovação, vencendo os percalços que irão surgir nesta cruzada, sobretudo através do planejamento estratégico das matérias mais recorrentes do certame e o acompanhamento personalizado.